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Experiência 01




Apenas ponha sua música preferida para tocar, enquanto lê esse texto. Concentre-se em cada linha e faça delas seu mundo. A cada linha e pensamento, atribua valor real e aproveite essa experiência.
Está pronto para começar?

Imagine-se trancado em um quarto escuro. Não há nenhum tipo de luz ou indícios dela. Os únicos sons que você está ouvindo, são as batidas de seu coração, e o som de sua respiração. Ande calmamente, tateando as paredes do quarto. Em algum lugar, deverá haver uma porta. Procure-a com calma e você poderá começar a ouvir a sua música tocando. Ande em direção ao som.
Abra a porta calmamente, ouvindo cada ranger que ela emite a cada centímetro aberto. Pare um pouco. Se for preciso, pare de ler um pouco e imagine. Tudo continua escuro, mas ao longe, você pode ver um fio de luz: ande em direção a ele. Sinta cada centímetro do chão, e cuidado onde pisa. Note que em algum ponto, o chão parece ter acabado, mas não. É uma escada!
Desça cuidadosamente cada degrau e chegue até a luz. O som da sua música está se intensificando; ficando mais alto. Onde você via apenas um fio de luz, agora parece ser uma sala. Adentre-a. Ela tem uma decoração única nesse mundo. Você se arrepia, pois percebe que a decoração da mesma, é formada por todos os seus medos e apreensões. Imagine cada um deles, como um quadro, uma mobília, um detalhe. Não se esqueça de tentar achar a fonte da música. Essa pode ser sua única salvação.
Atente para cada detalhe da decoração dessa sala. Como você está se sentindo? Tem coragem de seguir adiante? Que bom! Continue andando por cada detalhe da sala, e chegue a um ponto dela, onde não há nada. Nesse local, você sente uma presença próxima a você. Que tal parar de ler agora, e dar uma olhadinha para trás e ver se não há ninguém te observando? Não? Que bom então. Continue andando, e sinta que seu coração está disparado e batendo em descompasso. Cada batida demora uma eternidade para acontecer.
Feche os olhos e respire fundo. Siga adiante. Ouça atentamente cada som que poderá surgir nesse caminho. Ande devagar e continue procurando a próxima porta. Sua música parece vir dela. Sinta-a, como se nada mais importasse. Achando a segunda porta, adentre vagarosamente, tentando identificar cada detalhe nessa cena. É apenas um quarto normal, semi-iluminado, com apenas um móvel nele. É uma escrivaninha! Ande até ela, e note que em cima da mesma, se encontra uma caneta e um pedaço de papel. Sinta o cheiro da tinta daquela caneta esferográfica, e perceba as letras escritas no pedaço de papel. Há um recado escrito com sua letra. Mas quando foi que você o escreveu?
Não lembra? O que há escrito nesse papel? Com certeza é algum segredo antigo, que apenas você conhece. Assustou-se com o que está escrito? É a sua própria vida. Mas você nunca contou isso a ninguém. Como alguém poderia saber? A tinta fresca acusa que a pessoa que escreveu, saiu dali há pouco. Mas na verdade, a letra é sua, e você acabou de entrar no quarto. Como isso é possível?
Novamente, você sente uma presença bem próxima. Olhe ao redor de onde você está parado e lendo esse texto. Conseguiu encontrar alguém? Use sua visão periférica para procurar também. Note uma sombra que desaparece quando você olha diretamente para onde ela estava. Saia imediatamente de onde está, e procure um canto mais sossegado para poder prosseguir.
Procure a próxima porta mais a frente, e entre nela. Dessa vez, apenas pare no meio dela, feche os olhos e ouça sua música. É reconfortante estarmos em um local seguro e protegido! Passe alguns minutos neste canto, e medite um pouco sobre o que você espera encontrar daqui para frente. Pense em todos os medos, anseios, alegrias... Pense em tudo! Abra os olhos lentamente, e observe em seu corpo, marcas de cortes e poças de sangue no chão. Você está sangrando agora. Qual a sensação? Sinta seu corpo começar a ficar pesado e a esfriar. Você está bem próximo da morte por perda de sangue. Entra em desespero. Não sabe o que fazer. Olhe, e veja que adiante tem uma porta dizendo saída. Siga para ela, se conseguir, pois seu corpo está muito fraco e debilitado, devido à perda excessiva de sangue. Como se sente com o corpo pesado e tentado chegar àquela porta? Apenas, chegue.
Entre na outra sala, e sinta-se lentamente, se revigorando. Pare um momento, até que todos os ferimentos estejam curados. Depois disso, note que o cenário encontrado parece com o quintal daquela avó que você sempre ia aos domingos. Sinta o cheirinho da comida que sua avó está preparando, do perfume das plantas do quintal. Que lembranças isso te traz? Espero que boas. Da até vontade de permanecer nessa sala, e não sair mais dela. Bons tempos aqueles.
Continue sua jornada em direção ao desconhecido. Agora, está bem perto de terminar. Seria isso um bom sinal? Apenas continue ouvindo sua música e siga adiante. O que você vai encontrar na próxima sala, é um misto de terror e atrocidade: corpos mutilados, sangue para todos os lados, pedaços de humanos e animais. Sinta sua espinha arrepiar. É uma cena extremamente bizarra. Como alguém seria capaz de tamanha atrocidade? Sua música agora soa como uma marcha fúnebre, tocada em um órgão do século XVI. Ande com cuidado para não encostar-se aos corpos. Siga em direção a porta. Nessa próxima porta, você encontrará apenas um escuro, e a sua música ao fundo. Conseguiu se livrar da visão do outro quarto? Sentiu novamente a presença próxima a porta? Não? É aterrorizante ter sempre essa sensação de que alguém está ao seu lado. É como se estivéssemos sendo vigiados a cada passo. E se eu te disser que isso é verdade? Que em cada cômodo que você passou, tinha alguém te observando? Como é saber disso depois de tanto tempo? Siga em frente, agora prestando mais atenção a tudo. Olhe em cada centímetro quadrado desse escuro. Tateie tudo. Passe horas aí se for preciso. Mas só saia, quando tiver certeza que tudo foi tateado.
Após ter essa certeza, continue até encontrar a próxima saída. Quando a encontrar, note que ela é bem estreita. Quase não dá para passar. Tente de tudo, mas passe. Depois que passar, olhe em volta: O que vê? Veja toda a sua vida estampada nas paredes do quarto. Os melhores momentos, os piores, os amigos, inimigos, amores, ex-amores, relacionamentos, ex-relacionamentos, enfim, toda sua trajetória aqui. Desde a hora em que você abriu os olhos, até a hora em que você decidiu entrar nesse jogo maluco. Como é que você se sente relembrando tudo? Não tenha pressa. Apenas relembre e sinta cada momento passado. Cada riso, cada discussão, cada loucura. Note que quando você lembra-se das coisas ruins, seu corpo sente de novo aqueles sentimentos, e tenta esquecê-los. Tudo em vão. Após horas lembrando tudo, chorando e sorrindo novamente, você começa a sentir um calor insuportável. Olhe para as suas lembranças queimando na parede. Dói tanto ver tudo aquilo ser queimado. Dói tanto ver você ser queimado. O desespero toma conta, pois você não sabe como apagar aquele fogo que está destruindo quem você é e foi. Seu corpo, involuntariamente te manda correr em disparada para a outra porta. Você não o consegue controlar. Ele apenas vai. Sua música atinge um volume alto. Você apenas quer curtir, mas seu corpo não deixa. Ele atravessa a outra porta, e você percebe que o chão acaba. Agora você está em queda livre, e está vendo o chão chegar mais próximo. É o seu fim? Novamente, você lembra do fogo consumindo quem você foi ou é, e sente remorso por não poder ter feito nada.
Você sente seu corpo bater violentamente contra o chão, e por alguns segundos, quase desmaia. A sensação é horrível. Sentir todos os ossos quebrados, a vista escurecendo e os pensamentos apagando. Você luta por horas, até conseguir levantar sua cabeça. Olha para todos os lados, e começa a notar algo familiar. Depois de muito analisar, você percebe que está em seu quarto, deitado em sua cama. Percebe que nada disso foi real, mas seu corpo não se move, e você continua sentindo uma dor imensa.
Faça uma força para levantar e olhe em volta; olhe em você. Seus braços e pernas estão enfaixados, como se você tivesse sofrido cortes. Sua cabeça dói, como se você tivesse sofrido uma pancada. Seu coração está apertado, como se todas as lembranças de uma vida tivessem sido apagadas. Você começa a chorar, e de repente escuta sua música preferida. Olhe, em seu quarto, para a janela ou porta. Lá, você nota uma pessoa parada. Essa pessoa te acompanhou durante todo o seu sonho. Essa pessoa sou eu...


JÚLIO ROMÃO BARBOSA NETO

Um comentário:

Rayane Medeiros disse...

QUE TEXTO MAIS LOUCOOOOOO fiquei tensa! '-'